Tentando Recomeçar

Como é difícil perder sua vida, perder sua casa, privacidade, suas “raízes”. Mudanças são boas, mas às vezes não sei se por medo, ou por todos os sentimentos juntos e misturados, não são tão boas assim.

Quando tomamos decisões temos que arcar com todas as consequências que elas nos trazem, porém, algumas vezes, as consequências são duras e desgastantes, nosso corpo, mente e alma ficam devastados. É exatamente assim que me sinto no momento, devastada. Em diversos momentos do meu dia me pego chorando sem saber exatamente o motivo, pequenas discussões me fazem chorar e perder o pouco ânimo que ainda existe dentro de mim.

Não me sinto arrependida por ter tomado as decisões que me trouxeram até aqui, mas acho de verdade, que não as tomei no momento certo.

Já pensei muito nisso e a decisão de me separar já estava tomada a muito tempo, muito antes de eu me dar conta disso. Me lembro de muitas vezes me pegar pensando em como seriam divididas nossas coisas e como seriam os dias após isso, ou seja, essa possibilidade já invadia minha alma a algum tempo. Nunca dividi esses pensamentos com ninguém, não sei bem o porquê, mas deve ser por medo dos que os “outros” vão dizer. Devido o rumo que minha vida tomou, cheguei à conclusão de que a ocasião escolhida para fazer isso não foi boa.

Pois hoje tenho 32 anos e um filho de quase 4 anos e somos um peso nas costas da minha mãe. Exatamente isso, um peso e, diga-se de passagem, eu um peso morto. Estou desempregada a um ano e sem perspectiva de conseguir um emprego, pois como todos sabem, as empresas estão fechando vagas e não as abrindo por causa da crise que se instalou em nosso país. Lógico que estou na luta, o tempo todo em sites de empresas e de anúncios de vagas me cadastrando em tudo que vejo pela frente.

Lógico que ajudo em casa de todas as formas que posso e consigo, a casa está limpa todas as semanas e louça sempre lavada, desde que me mudei para cá nunca mais ela lavou uma louça, mas sinto que isso não é o suficiente e que continuo como peso morto dentro de casa.

Digo que somos um peso nas costas dela, pois aumentamos todos os gastos e não entra nada da minha parte. Só ouço dizer que o dinheiro não vai dar esse mês e que tenho que parar de usar as coisas pois as contas estão aumentando. “Pare de usar a secadora de roupas, pois a conta de luz está muito alta, não use durante um mês e se não mudar em nada eu deixo você voltar a usar”, uma frase besta não? Não para o momento em que meu espírito se encontra. Todos os dias acordo sem ter vontade de levantar da cama, levantar pra que? Pra ficar mais tempo sem fazer nada? Pois é exatamente o que faço, nada de importante, interessante, que dê algum sentido ou tenha algum propósito.

Como mudar isso? Não sei exatamente a resposta, fora conseguir um emprego urgente. Estou muito incomodada com a situação e por isso resolvi escrever, para tentar colocar pra fora tudo que estou sentindo, o turbilhão de emoções que tomam conta de mim todos os dias, que me levam do céu para o inferno em apenas segundos.

Não estou escrevendo para que ninguém sinta pena de mim ou coisa parecida e sim só para externar tudo que estou passando, para descobrir se fica mais fácil conviver com essas emoções tão difíceis de lidar no dia a dia, pois nunca me senti assim na minha vida toda.

Não tenho ideia de como será o meu futuro, vou continuar na batalha até conseguir o que mais quero no momento que é trabalhar, me ocupar, ser útil. Mas, por enquanto, a única certeza que tenho é que quero poder mandar na minha vida novamente, ter minha casa, onde posso fazer o que quero, secar roupas na hora em que eu quiser…rs. Só quero o controle da minha vida de volta.